A cada ato de indisciplina crua ou cruel, me submeto, encantado por cometer tais atos. Os hábitos rudes são o que me sustentam, liberando todas as minhas virtudes. Sou também um escravo do prazer, e embora o desejo tenha um prazo, minhas memórias transcendem conversas polidas e sóbrias, além das ressacas triviais. Vamos lamentar juntos antes que o sol se ponha e a noite roube nossa decência. Quero ser seduzido por tentações de indivíduos atraentes, desprovidos de amor. Preciso sentir o coração saltar de prazer, sabendo que tudo passa rápido. Ao acordar, nada terei; se não sonhar, nada perderei. Diante de uma disciplina polida por conceitos fiéis, de quem preserva a vida como se estivesse em um freezer, eu me rendo às tentações de vidas anteriores, reencarnando seres amargos e descrentes. Sinto na pele a ausência de infelicidade, e como me sinto terrível cada vez que nego, cada vez que rejeito os desejos de outra pessoa. Venha cantar comigo antes que a canção termine e a festa se transforme em velório.